As Olimpíadas estão só na metade, mas eu não agüento mais de vontade de falar no assunto. Aí vão, então, os comentários sobre alguns dos poucos momentos que vi pela televisão - já que, de noite durmo e, de dia, trabalho. E atenção: eles não obedecem ordem nenhuma.
[caption id=”" align=”alignleft” width=”216″ caption=”Ela não agüentou a pressão”]
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1. Jade Barbosa: se revelou a maior pipoqueira da história esportiva brasileira. Só de ser recebida calorosamente no aeroporto já chorou de desespero. Daí para a frente, sucumbiu à pressão como um barco à deriva. Por isso, seu resultado foi mais que merecido: não ganhou nada. Meu amigo Dieguito (primo dela) que me desculpe, mas dessa vez ela vacilou.
2. Jade Barbosa 2: o que era aquele buraquinho feito por uma costura ruim no suvaco de Jade Barbosa durante o primeiro dia de apresentação? Bola fora para o fabricante de material esportivo.
[caption id=”" align=”alignright” width=”120″ caption=”A sempre sorridente Shawn Johnson”]
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3. Shawn Johnson: ela é irmã da Minnie Mouse. Está sempre sorridente. Desde os Jogos Panamericanos foi assim. Não chora, não se desespera, não fica triste nem feliz. Só sorri para todos, como um turista japonês sem sua câmera fotográfica. E não é sorriso de felicidade: é simplesmente o sorriso de quem não tem outra cara para fazer. Ela é assim e ponto. Até acordando de manhã ela já deve ter esse sorriso irritante colado no rosto, igual mulher de anúncio de margarina. E é incrível como ela não erra, como parece que foi feita para saltar, piruetar no ar e cair de pé. Impressionante! Ficou apenas com medalhas de prata, mas isso foi um acidente.
[caption id=”" align=”alignleft” width=”172″ caption=”Cielo comemora”]
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4. César Cielo: o cara mandou bem e isso todos já sabem. Mas o que mais me chamou a atenção nele foi a entrevista que ele deu depois da final dos 100m livre. Chorando, emocionado, pela conquista da medalha de bronze, quando perguntado sobre o futuro ele fechou a cara, cerrou os punhos, engoliu o choro, lembrou que ainda tinha muita coisa pela frente e, com a voz firme e decidida de quem promete vingança, disse: “Agora eu quero os 50m”, ou algo parecido. Dito e feito!
5. César Cielo 2: a premiação foi um dos pontos altos das Olimpíadas. Não pelo seu choro com a medalha no peito, nem pelo choro de seus pais. O aplauso do público durante o hino brasileiro já mostrava que havia algo diferente na cena. . E depois a invasão da piscina pelos atletas brasileiros, dispensou comentários. Sensacional. Não que isso deva ser permitido, nem tolerado. Todos ali estavam errados. Mas que foi bonito, isso foi.
6. César Cielo 3: sorte do Galvão que eu não sou a avó do César Cielo. Logo após a vitória, a Globo mostrava de um lado as imagens do Cubo D’Água e, de outro, D. Olga, a avó do campeão. Aí o Galvão, misturando euforia com insanidade, disse: “fale o que a senhora estiver sentido, fale o que a senhora quiser falar, D. Olga!“ Ela, apesar de emocionada, manteve os nervos no lugar e disse apenas coisas bonitas e tocantes. Mas se fosse eu, o Galvão seria convidado a tomar naquele lugar…
[caption id=”" align=”alignright” width=”228″ caption=”Oito vezes Phelps: ele ascendeu ao Olimpo”]
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7. Michael Phelps: incrível como o sujeito que tem a maior cara de nerd só se emocionou após a oitava conquista, aquela que o levou à imortalidade. Parecia um robô, programado para vencer prova após prova. Só duas provas foram difíceis; nas demais, ele sobrou. A idéia do COI de premiá-lo com a medalha Pierre de Coubertin ali mesmo no pódio, durante a oitava premiação dourada, foi uma enorme bola dentro. Eu torci para ele em todas provas, mesmo que contra os brasileiros. Seu objetivo era o objetivo do bem, uma meta nobre. Será um exemplo para gerações.
8. Deborah Phelps: a mãe do maior vencedor olímpico de todos os tempos até que agüentou bem a emoção.. Não sei não, mas se eu fosse mãe de atleta medalhista de ouro (imagina de um que ganhou oito medalhas numa mesma edição dos Jogos), eu não ia chorar só aquilo que ela chourou não.
[caption id=”" align=”alignleft” width=”216″ caption=”Ela é boa, mas a parceira…”]
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9. Larissa e Ana Paula: se eu fosse a Ana Paula, estaria muito feliz com a participação nas Olimpíadas, mesmo após a derrota para Walsh e May. Se eu fosse a Larissa, estaria extremamente decepcionada: primeiro, porque o azar foi enorme e reclamar da sorte (principalmente da má sorte) é um direito que todo mundo tem - no caso dela, com toda razão. Segundo porque a Ana Paula, parceira escolhida para substituir Juliana, jogou muito mal e praticamente entregou a paçoca para a dupla americana. Não acertou no bloqueio nem no ataque, e quando precisava levantar uma bola defendida por Larissa, levantava mal demais.
10. Local dos Jogos: enquanto as Copas do Mundo de futebol são realizadas em países, as Olimpíadas são realizadas em cidades. Desta vez, Pequim foi escolhida a sede - uma escolha sensacional, tendo em vista o crescimento da China na geopolítica mundial. Mas daí a permitir que Pequim divida a sede com Xangai (futebol), Shenyang (futebol) e Hong Kong (hipismo) vai uma distância muito grande! Bola fora para a organização, neste ponto, ao meu ver.
11. Futebol: essa tabela é uma palhaçada. No feminino, Alemanha e Brasil na mesma chave e, mesmo com uma seleção em primeiro e a outra em segundo, o cruzamento não foi na final. No masculino, Argentina e Brasil se cruzando também na semi-final. Não dá para acreditar que foi só culpa do sorteio…
[caption id=”" align=”alignright” width=”218″ caption=”A chegada dos 100m feminino”]
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12. 100m rasos: o domínio da Jamaica é novidade no mundo do atletismo, ao menos nessa prova. No feminino, conseguiram mais que a tríplice coroa; no masculino, ficou um cheiro estranho no ar. Aquela chegada folgada me lembrou muito a de Bem Johnson, em Seoul, há vinte anos…
13. Handebol: os fiascos brasileiros, no masculino e no feminino não merecem comentários.
14. Basquete: enquanto Kobe Briant e companhia dão show nas quadras, as meninas do Brasil amargam a vergonha de derrota após derrota, por pouco ou por muito. Só não fazem mais feio que o basquete masculino, que nem vaga conseguiu para as Olimpíadas.
15. Cerimônia de abertura: eu não vi. Dizem que foi bonita (sempre é), mas a história que eu ouvi da cantora que dublou porque a verdadeira cantora era feia… Até agora, o maior mico olímpico de todos os tempos, na minha opinião. Indesculpável! Desonestidade a toda prova. E a emenda saiu pior que o soneto.
[caption id=”" align=”alignleft” width=”190″ caption=”A personificação do povo brasileiro”]
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16. Marily dos Santos: a mataronista brasileira é a cara do Brasil. História de sofrimento e luta, derrota e deslumbramento com as maravilhas do mundo. A voz dela não nega sua origem humilde; sua cara, depois da prova, boquiaberta, admirando o Ninho do Pássaro e, certamente, lembrando a vida dura que teve até chegar ali, não nega sua história.